A Perda Auditiva Induzida por Ruído e sua influência na qualidade de vida dos trabalhadores

Venho por meio desse texto,  explicitar como a Perda Auditiva Induzida por Ruído e suas características podem influenciar negativamente a qualidade de vida dos trabalhadores de indústrias.

Para isso, cabe aqui descrever as características do ruído e sua ação direta na Perda Auditiva dentro das indústrias: intensidade, freqüência, tempo de exposição e natureza do ruído. A intensidade a partir de 84/90 dB de ruído causa uma lesão coclear irreversível e a lesão será mais intensa quanto maior for o ruído, o que tem sido razoavelmente comum em alguns ambientes industriais como metalúrgicas, teares, bancos de prova de motores e outros.

Na freqüência, qualquer área do espectro sonoro é capaz de desencadear problemas cocleares, tendo como mais traumatizantes os ruídos compostos pelas freqüências altas. Em relação ao tempo de exposição, a lesão é diretamente proporcional ao tempo em que o indivíduo fica exposto ao ruído; com 100 horas de exposição já se pode encontrar patologia coclear irreversível. Por este motivo, intervalos para descanso acústico em ambientes adequados são fundamentais na tentativa de recuperação enzimática das células sensoriais. A natureza do ruído refere à distribuição da energia sonora durante o tempo, podendo ser contínua, flutuante e intermitente. Ruídos de impacto, como na explosão, são particularmente prejudiciais.

O ruído em excesso tem o poder de lesar considerável extensão das vias auditivas, desde a membrana timpânica até regiões do sistema nervoso central. No órgão de Corti ocorrem as principais alterações responsáveis pela perda auditiva induzida pelo ruído, pois suas células ciliadas externas são particularmente sensíveis a altas e prolongadas pressões sonoras, a chamada “exaustão metabólica”, com depleção enzimática e energética, e redução do oxigênio e nutrientes; com a morte celular, o espaço é preenchido por formações cicatriciais, o que resulta em déficit permanente da capacidade auditiva.

A  exposição crônica ao ruído produz deterioração auditiva lenta, progressiva e irreversível com características de disacusia neurossensorial geralmente simétrica, como já mencionamos no blog, em textos anteriores. O paciente pode se queixar de tinitus, hipoacusia, fadiga, queda do rendimento laboral, alterações neurovegetativas, estresse e fica sujeito a inúmeras enfermidades orgânicas.

Comos sabemos, o ruído é um perigoso poluente industrial e o mais comum encontrado na atividade industrial.

Os sintomas frequentes encontrados em quem está exposto a índices elevados de ruído são: perda auditiva, zumbidos, dificuldades na compreensão da fala. Os sintomas extra-auditivos são alterações do sono e transtornos da comunicação, neurológicos, vestibulares, digestivos, comportamentais, cardiovasculares e hormonais. Apresentam também, dificuldade em ouvir em ambientes ruidosos, e alterações envolvendo fatores psicossociais como estresse, tendência ao isolamento, ansiedade. Tais fatores podem prejudicar suas relações na família, no trabalho e na sociedade, comprometendo sua qualidade de vida como um todo.

A queda de rendimento na atividade laboral é um dos comprometimentos mais visíveis em quem está apresentando Perda Auditiva Ocupacional, prejudicando dessa forma, a produtividade da empresa e a saúde do trabalhador.

O risco de se desenvolver a Perda Auditiva Induzida por Ruído aumenta, quando os trabalhadores não são submetidos aos Programas Preventivos e não fazem uso correto de protetores auriculares.

Nos programas preventivos devem estar inclusas  audiometrias tonais admissionais,  periódicas e demissionais e visitas ao otorrinolaringologista quando se fizer necessário.

A Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR) pode ter efeito devastador na qualidade de vida do trabalhador e na  produtividade de sua empresa, caso não se aplique os Programas Preventivos Vigentes.

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